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Cidades

Pedestres relatam transtornos com obra da nova sede do TCM-GO em antigo prédio da Assembleia Legislativa

Samuel Straioto Goiânia – Moradores do Setor Oeste e frequentadores da região do Bosque dos Buritis, em Goiânia, relatam dificuldade para caminhar com segurança nas proximidades da obra da nova sede do...

Samuel Straioto

Goiânia – Moradores do Setor Oeste e frequentadores da região do Bosque dos Buritis, em Goiânia, relatam dificuldade para caminhar com segurança nas proximidades da obra da nova sede do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO), erguida no prédio da antiga Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).

Até recentemente, o principal problema apontado era o acúmulo de entulho e sujeira nas calçadas do entorno — cenário que mudou depois que a reportagem procurou o TCM e a Prefeitura de Goiânia para questionar sobre o andamento da obra e a situação do local.

O Palácio Alfredo Nasser, antiga sede da Alego, foi incorporado ao patrimônio da Corte em 2023, por meio de doação aprovada pela própria Assembleia, com o objetivo de concentrar as atividades do órgão em uma estrutura mais ampla e adequada às suas demandas administrativas e operacionais.

O edifício está em reformas desde 2024 para receber a nova sede do Tribunal.

O local tem área total de 12.486,22 metros quadrados, com área construída de 8.381,27 metros quadrados, em pleno Bosque dos Buritis.

Apesar da limpeza, pedestres seguem tendo que caminhar pela rua em determinados trechos, já que a fita zebrada e os cones de sinalização hoje instalados no local não isolam adequadamente a passagem de quem circula pela região.

Reforma do Palácio Alfredo Nasser foi iniciada em 2024 e será nova sede do TCM-GO. Foto: Sabrina Schreiner/ Jornal A Redação.

O que dizem os moradores?

Para quem passa pela região diariamente, o entulho acumulado nos últimos meses tornou o trajeto mais difícil, sobretudo para idosos e pessoas com mobilidade reduzida. É o caso da cuidadora Leia Carneiro de Souza, que atua na região: “Estava muito ruim aqui para andar.

Atrapalha demais, inclusive para idosos”, disse, confirmando que o cenário melhorou após a limpeza recente: “Deram uma limpada aqui, está bem mais limpo, bem melhor para andar”, completou.

Leia Carneiro é cuidadora de idosos e diariamente circular pelo local. Foto: Sabrina Schreiner/ Jornal A Redação.

A empresária Sabrina Fischer-Volt, que não mora em Goiânia, mas costuma visitar a família que mora na capital, relatou dificuldade em transitar pelo local com um carrinho de bebê. “Todas as vezes que a gente vem aqui, sempre era muita sujeira. Passar com o carrinho por essa parte aqui sempre foi um transtorno”, afirmou.

Segundo ela, a ausência de sinalização adequada obriga pedestres a caminhar próximo a veículos estacionados: “Se esses carros que estão aqui não tivessem estacionados, para a gente conseguir atravessar mais próximo da calçada, com uma boa sinalização, seria muito melhor do que ter que passar no meio da estrada, colocando a gente em perigo”.

Sabrina Fischer passeia com bebê em meio aos entulhos da obra na calçada. Foto: Sabrina Schreiner/ Jornal A Redação.

A dona de casa Camila de Assis, que tem deficiência física e mobilidade reduzida, apontou a ausência de rebaixamento de calçada como uma falha estrutural do canteiro de obras. “Tinha que ter uma passagem, inclusive daquelas rebaixadas para deficiente, porque eu sou deficiente.

Está tudo esburacado e não tem nenhuma sinalização mostrando que está tendo a obra ali”, disse.

Questionada sobre o que poderia melhorar a segurança do trajeto, mesmo diante do caráter provisório do transtorno, ela defendeu a instalação de um corredor isolado para pedestres: “Tinha que ter um corredor, um cordão de isolamento, que chegasse até aqui”, declarou Camila.

Camila tem mobilidade reduzida e relata a reportagem as dificuldades de caminhar pelo local. Foto: Sabrina Schreiner/ Jornal A Redação.

Nem todos os moradores relatam o mesmo grau de incômodo. O aposentado Jânio Silva Alencar, morador da região há 13 anos, avalia que o transtorno da obra é proporcional ao benefício esperado.

“O transtorno de toda obra existe, mas o objetivo dela, que é a melhoria, transpõe isso”, afirma. Para ele, o andamento das obras não chegou a atrapalhar sua rotina de caminhada pela região: “A gente desvia aqui, desvia ali, e a obra está saindo num tempo até rápido”.

Alencar também elogiou o respeito da construção com a vizinhança e citou como referência outra intervenção recente na capital: “é igual aquela obra da Avenida Goiás, que fizeram todas as calçadas lá retinha, para a gente caminhar é uma beleza”.

Jânio é morador da região há 13 anos e vê com otimismo a reforma no local. Foto: Sabrina Schreiner/ Jornal A Redação.

TCM

Procurado por meio da assessoria de imprensa, o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) informou que a calçada está sendo reformada para atender às normas urbanísticas e de acessibilidade, com a instalação obrigatória de piso tátil — o que pode gerar transtornos pontuais durante a execução.

Segundo o órgão, toda a intervenção está sendo feita dentro da área de responsabilidade do Tribunal.

Já a praça em frente ao prédio está sendo reformada em parceria com a Prefeitura, com a instalação de bancos para uso dos moradores da região. De acordo com o TCM, eventuais contratempos — como entulho ou interdições provisórias — fazem parte do processo de obra e serão superados com a entrega da nova estrutura.

Sobre a antiga estrutura do prédio, o Tribunal afirmou que a reforma inclui adequações no número de gabinetes, hoje dimensionados para atender à diferença entre a quantidade de deputados e de conselheiros. As obras de arte do artista Luís Olinto, existentes no local, também estão sendo restauradas.

Segundo o órgão, algumas áreas do edifício exigem intervenção mais aprofundada, e, por isso, estão sendo realizados reparos no telhado e revisões nas redes elétrica e hidráulica.

O TCM afirmou ainda que não há intervenções previstas na área do bosque do entorno, em respeito às exigências ambientais e com atenção aos moradores vizinhos e aos transeuntes que utilizam o espaço.

Entulho deixado durante a realização das obra na calçada externa do TCM-GO. Foto: Sabrina Schreiner/ Jornal A Redação.

SEFIC

A Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic) informou, por meio de nota, que não recebeu nenhuma denúncia ou reclamação relacionada às obras da nova sede do TCM, incluindo alterações de calçadas ou intervenções na área mencionada.

A Sefic argumentou que a empresa responsável possui as autorizações necessárias para a execução das intervenções previstas no projeto, que devem observar as normas e a legislação urbanística e ambiental vigentes.

Caso sejam apresentadas denúncias ou identificadas eventuais irregularidades, a pasta poderá realizar a apuração e adotar as medidas cabíveis, dentro de suas competências.

Entrada pelos fundos da antiga Alego também está passando por obras e pedestres caminham pela rua.  Foto: Sabrina Schreiner/ Jornal A Redação.

AMMA

A reportagem também procurou a Agência Municipal de Meio Ambiente (AMMA) para entender se a obra realizada na área da antiga Alego, ao lado do Bosque dos Buritis, poderia ter algum impacto sobre a unidade de conservação.

Segundo a assessoria de imprensa do órgão, o tema é de competência da Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic), que passou a responder, desde 2024, pela fiscalização da arborização urbana, das unidades de conservação e das áreas verdes da capital, conforme a Lei Complementar Municipal nº 335.

A mesma legislação, no entanto, mantém entre as atribuições da AMMA a gestão, a preservação, a recuperação e a supervisão dessas áreas, além do monitoramento relacionado à conservação dos recursos naturais.

O Bosque dos Buritis é uma Unidade de Conservação Ambiental e é considerado o mais antigo patrimônio paisagístico da capital, além de ser lindeiro ao Palácio Alfredo Nasser. A área foi prevista no planejamento original da cidade como espaço destinado à preservação ambiental.

O parque possui aproximadamente 141,5 mil metros quadrados, com árvores, lagos e vegetação rasteira, além de três lagoas artificiais abastecidas pelo córrego Buriti e por canais subterrâneos.

É justamente sobre esse histórico de ocupação que o morador Jânio Silva Alencar levanta uma ressalva. Segundo ele, a própria antiga sede da Alego já ocupava uma área ambientalmente sensível antes da chegada do TCM: “A gente protege tanto áreas de meio ambiente, mas as leis do passado — a Assembleia Legislativa estava dentro da área”.

Córregos dos Buritis em pequeno trecho após os lagos do Bosque, encurralado pelo prédio da antiga Alego, feira ao fundo e vegetação marginal comprometida. Foto: Sabrina Schreiner/ Jornal A Redação.

Recomposição vegetal

Para o morador, o ideal seria que o espaço, uma vez desocupado pelo Legislativo, tivesse sido devolvido à preservação ambiental, em vez de receber uma nova estrutura pública: “A minha sugestão é que, já que tiver desocupado, a obra não existisse mais, transformasse a área em ambiente”.

Segundo ele, a manutenção de novas construções no local tende a enfraquecer o respeito da população pela área de proteção ambiental, incluindo suas nascentes de água.

Ao longo da ocupação de Goiânia, a área passou por intervenções que modificaram parte de suas características originais, e a vegetação nativa também foi substituída em alguns trechos por espécies exóticas. Estudos feitos ao longo dos anos indicam que apenas cerca de 10% da vegetação original permanece.

Fonte: A Redação

Marielle SouzaJornalista